A morte do medo

Snif. Abalei em passos compridos depois de anavalhar um temor que ali estava escondido entre duas sombras de uns olhos que queriam ser flamejantes; mais à frente, já fora de perigo, abrandei a marcha. Comecei, então, a vir a mim, vagarosamente, abrigada no sobretudo de papel canelado e botões sem casas; empinei a gola pescoço acima até à ponta dos cabelos; transportei-me ao ar puro e vim contando cúpulas enquanto revirava a mala buscando as chaves para poder entrar na mansarda. Dei a volta ao canhão no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Correu bem. Galgado o degrau do medo, saí do anonimato. Esvaziei os sacos das últimas incertezas e pus um copo cheio de resistências dentro do frigorífico para não se estragar ao calor da noite. Despi-me das forças débeis; fechei a boca sequiosa de línguas vivas e enchi as mãos de palavras para escrever. Veem-me as forças novas, as esperanças absolutas e encho de alegria estas águas furtadas ao isolamento. Acendo a vela ao fim do dia sem honrar o receio arriado há cerca de meia hora. Arf!

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