A paixão da leitura: Vida Dupla de Sérgio Godinho

Esta obra de Sérgio Godinho ficará a ser, para mim, uma espécie de expressão da turba que habita em cada um de nós. E trata-se de uma multidão que nos dá muito trabalho.

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Na sua individualidade estas personagens têm vivências, ensaios e tentativas para vidas felizes que, às vezes, não dão em nada. São esforços de percursos pelas vias do bem que acabam mal. Nas suas ambições, estas pessoas buscam um concreto que não seja efémero, que seja mágico e orgástico, mas estável. São as nossas múltiplas faces e algumas podem atirar connosco para dentro de uma espécie de poço da morte, onde ficamos a rodopiar, o ânimo em rotação, a afastarmo-nos gradualmente do centro à cata do equilíbrio que é a pedra preciosa do cerne humano.

Estas vozes que ouvimos e acarinhamos em Vida Dupla são fundas, contusas, poéticas, finamente irónicas, travessas, vívidas, eróticas e muito mais. O texto é um paraíso da semântica, um regalo para quem gosta de ambiguidades e polissemias.

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